domingo, 25 de abril de 2021

Resenha: O Eterno Marido

 

Livro: O Eterno Marido
Autor: Fiodor Dostoievski
Páginas: 216
Editora 34

Aplausos para os grupos de leitura coletiva!


Olha sempre quis ler  Dostoievski mas, a procrastinação vencia, eis que no grupo de clássicos esse foi o autor escolhido para nosso debate de maio...Então tive a oportunidade de conhecer o senhor  Dostoievski.


Inocente que sou, achei que pelo titulo teríamos uma linda história de amor!!! Um marido dedicado, uma esposa feliz, enfim, um dos romances clichês que A M O !!!

Avisada pelo grupo que estava completamente enganada, que romances fofos não fazem parte da escrita de  Dostoievski, fui com cautela e nos primeiros capítulos, pensei que abandonaria a leitura...
Como abandonar uma leitura coletiva??? Não abandonei e ainda bem, pois, fui aprisionada por  Dostoievski...

O Eterno Marido foi escrito em 1870, um romance curto, mas, perfeito!!! Interessante que  Dostoievski escreveu Eterno Marido porque estava fugindo de credores e precisa de "grana". 

Fica a dica! Se você esta precisando de grana, NÃO, escreva um livro ou vai morrer de fome, mas, isso é um outro assunto...

Vamos ter um triângulo amoroso! Um assunto comum de romances, mas,  Dostoievski é cômico, sarcástico,  inteligente e provocador o que torna a leitura dinâmica ...

O primeiro capitulo vai ser dedicado a Vieltchâninov, um perfeito playboy para os dias de hoje, um homem que tirava sarro de todos, um mulherengo, um solteirão convicto, pois, nunca se casou.

Do outro lado teremos seu "grande" amigo Pávlovitch, um homem meio bobão, o "eterno marido"...

A história começa com Vielchânino já com seus quarenta anos (acho eu) sofrendo com suas memória, diria eu, arrependido das humilhações que causou no passado, do namoricos com mulheres já comprometidas

"... de que servem tais recordações, quando não sei nem mesmo libertar-me suficientemente de mim no presente? "

O gatilho para certas lembranças foi o encontro "casual" com um certo homem na rua que usava  chapéu com fita de luto... Esse encontro deixou Vielchânino profundamente constrangido, e irritado com aquela sensação "da onde conheço fulano". E ele não encontrou apenas uma vez, mas, outras vezes também...Será que estava sendo seguido?

A lembrança, o reconhecimento, veio em uma noite de insônia, em plena madrugada, quando Vielchânino olha pela janela e vê o estranho olhando do outro lado da rua diretamente para sua janela...

Era seu "grande" amigo, Pávlovich, uma amigo que não via há dez anos!!!

Vielchânino fica se perguntando o que o leva em plena madrugada e depois de dez anos bater na sua porta, mas, Pávlovich, esta confuso, "atrapalhado " das ideias, e joga a bomba para Vielchânino, está de luto pois, sua adorada esposa Natalia faleceu...

O passado se faz presente Vielchânino relembra o quanto foi apaixonado por Natalia, mas, essa o dispensou e eles nunca mais tiveram contato...

Decidido a descobrir o real motivo que levou Pávlovich aparecer após dez anos, Vielchânino  resolve no dia seguinte ir visita-lo e descobre que ele não está sozinho, mas, acompanhado de sua  filha Lisa. Devo confessar que fiquei encantada com Lisa, uma vontade de protege-la...

Vielchânino  também fica encantado com Lisa, eu diria que surge ali um amor paternal  e ele começa a fazer algumas contas, será que realmente Lisa é filha de Pávlovich?

A história fica muito interessante e impossível abandonar! . Teremos intensos diálogos, com acusações, insinuações tudo tão bem detalhado que senti como se estivesse assistindo uma novela...

Este post faz parte do BEDA e participam também:

Mãe Literatura;
Catarina voltou a escrever;
Mariana Gouveia;
Roseli Pedroso;
Amor pelas Páginas;
Devaneios e Poesias;
Obdulio Nuñes Ortega

E você Tá Lendo?




3 comentários:

  1. Nunca li nenhum escritor russo. Falha grave em minha extensa carreira de leitora e bibliotecária (risos). Ainda dá tempo...

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  2. Gosto imenso desse livro, da maneira como a história se manifesta a partir de cartas escritas por uma esposa morta, onde se revela a vida e seus segredos. rs
    Um dos melhores livros do signore Fiodor.

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  3. Dostoievski precisa de dinheiro e escreve um livro primoroso, "sem querer"... Genial!

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